quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Rua da Lama II - Abertura, o bar ao lado do Cochicho

Um colega me disse que não freqüenta o Abertura por questões ideológicas. Para os moldes da Lama e dos enlamados jurássicos ele é considerado um bar "mauricinho e patricinha", daquele tipo que canta parabéns e faz festinhas, além de os fregueses falarem muito alto. O colega prefere ficar no Cochicho (separado por imaginária linha) e comer os pastéis de camarão e siri ou o gorjão de peixe do Abertura. Segui o ritual estabelecido e fui à cata dos tais pastéis. Sorte ou azar, a massa havia acabado. Olhei para a estufa de frios (self-service) exposta à porta do boteco e, ao perceber a profusão de mãos estranhas que ali adentravam, preferi não arriscar (quando se trata de boteco, prevalece o velho ditado: "o que o olho não vê, o estômago não sente"). Com o intuito de facilitar a avaliação do boteco, eu pedi um petisco que qualquer analfabeto em culinária conhece os rudimentos para o seu preparo: costelinha de porco frita e aipim (ou mandioquinha, como queira). A porção chegou. Tamanho que garantiria a satisfação de pelo menos três pessoas. Mas eis que acontece o inesperado, o azar, enfim: Pois não é que o lance estava horrível? Distribui o petisco entre as mesas vizinhas para democratizar a avaliação e não deu outra: todos acharam totalmente insosso. Sabe-se que carne de porco exige um tempo no tempero (é necessário marinar), melhor ainda se um dia passar no tempero. Com certeza o cozinheiro do boteco não está a par desse procedimento. Sofri, senhores. Dinheiro jogado fora (R$ 13 e uns quebrados). Dessa vez o colesterol torceu o nariz e o estômago.

3 comentários:

F. Grijó disse...

Ora, ora.
Um avaliador de botecos. Finalmente.
Um guia desses merece visitas diárias - ou, no mínimo, hebdomadárias.

Chef Buonaboca disse...

Agradeço a visita. Tentaremos nos manter guiados por nossa isenta sensibilidade botecológica.
PS - o seu blog é de primeira.

Rui Caetano disse...

Um Bom Ano de 2008. Construamos os nossos sonhos e as nossas utopias que dependem de nós mesmos.